Project Description

MATER é a primeira criação musical do Teatro da Didascália. Com direção musical e composição de Rui Souza, é um concerto dividido em 6 partes: cada uma dessas partes evoca um dos elementos da “Teoria dos Cinco Elementos” de Wu Xing – Madeira 木, Água 水, Terra 土, Metal 金 e Fogo 火 -, elementos que dão o nome a cada uma das composições de MATER. O sexto concerto propõe uma simbiose entre esses cinco elementos. A essa sexta composição, deu-se o nome de MATER.

Todas as apresentações estrearam no espaço de criação e programação do Teatro da Didascália, FAUNA, em Joane, Vila Nova de Famalicão.

Em MATER, evoca-se ainda o património imaterial – uma das linhas de pesquisa do Teatro da Didascália – e cruza fronteiras: dos Cantares Polifónicos da Albânia à Polifonia Minhota; dos Tenores da Sardenha ao Cante Alentejano, passando pelo Throat Singing da Mongólia.

“Mater”: palavra de origem latina da qual deriva “matéria” (mas também a palavra “mãe”).

Matéria: tudo o que ocupa espaço e possui massa, a natureza do mundo visível. A condição sine qua non para a existência do imaterial: nem um, nem outro, existem sozinhos. O imaterial reflete-se no material, o material reflete o imaterial: a tristeza transforma-se em lágrima, vestimos roupas coloridas porque estamos felizes.

MATER é isto, um reencontro do ser humano com o ser em si. Uma descoberta daquilo que somos e do que pode estar esquecido em nós.

 

Composição e direção musical: Rui Souza

Direção artística: Bruno Martins

Desenho de luz: Valter Alves

Músicos convidados: Samuel Martins Coelho – Violino; Carina Albuquerque – Violoncelo; Pedro Teixeira – Oboé, Corn Inglês e Duduk; Pedro Gonçalves Oliveira – Bateria; Marco Ferreira – Guitarra Elétrica; Miguel Moreira – Guitarra Elétrica; João Mortágua – Saxofone; Carlos Correia – Voz; Teresa Melo Campos – Voz; Hugo Cardoso – Percussão; Gonçalo Alegre – Baixo, contrabaixo e eletrónica.

Produção, comunicação e fotografia: Jonathan da Costa

Design Gráfico: Rui Verde

O Teatro da Didascália é uma estrutura financiada pela Direção-Geral das Artes – Ministério da Cultura e tem como principal autarquia parceira, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

Classificação etária: M/6

Duração aproximada por concerto: 60 min. // concerto final: 120 min.

——-

Capítulo I . Madeira 木

A madeira está presente em quase tudo nas nossas vidas, mesmo que, por vezes, o ignoramos ou esqueçamos. É um dos nossos pilares, sustento, suporte. É também um material de extrema resistência e durabilidade, e, simultaneamente, dos mais leves e acessíveis. Para alguns, transmite uma sensação de conforto ou de aconchego. Porque nos sentimos confortáveis com a madeira? 

O primeiro dos concertos Mater, Madeira 木, pretende trazer à tona o arrepio do elemento, a sensação primária do que somos: natureza. A esta ideia ou sensação nas composições aliar-se-à também uma grande influência do cante alentejano. A viagem começa em casa.

Capítulo II . Água 水

Mergulhamos. A água é, como sabemos, caminho: origem, meio e fim. É a fonte da vida, o elixir da existência. Para nos fazer seguir viagem e sentir dentro de nós este elemento, Água 水 evoca a sua fluidez e simplicidade, mas também o seu potencial de torrente.

Ao material – água – junta-se o imaterial – os cantares polifónicos da Albânia -, continuando o cruzamento de um com o outro, a base de inspiração de MATER.

Capítulo III . Terra 土

Já não estamos em casa, seguimos o fluxo, e quando pisamos terra firme pela primeira vez, paramos.Terra 土 pretende despertar aquele ponto na nossa memória que nos faz recordar a nossa ligação com a terra: a terra entre os dedos dos pés quando brincávamos em criança, a terra na cara, a terra enquanto chão universal, a terra vista como sítio de onde partimos, por onde caminhamos, ou mesmo evocar a terra, como fim. Será o último desta forma de existência? A terra nunca é igual, nunca é única, nunca é redenção. De terra em terra, de mar em mar. É preciso melhorar o barco.

Capítulo IV . Metal 金

O barco continua igual, mas a carapaça, não. O quarto concerto Mater promete ser o mais estridente, o mais duro, o mais agudo, o mais grave, o mais pesado, o mais leve, o mais insano, o mais geométrico, o mais quente, o mais gelado, o mais cortante, o mais insensível, o mais rugoso, o mais liso…

Como base para a composição, temos o próprio metal e o Throat Singing da Mongólia. Como na tradição mongol, cada voz pode cantar duas, três ou mais notas em simultâneo. Harmonia ou cacofonia? Não encontramos o ideal, muito menos, o paraíso. É preciso começar de novo.

Capítulo V . Fogo 火

Já pensaram que o fogo é uma das poucas coisas visíveis que tende sempre para cima? Tudo funciona como a maçã de Newton, ou a de Eva e Adão. A maçã caiu e nós caímos com ela, na terra.

O fogo é outra coisa: o fogo contraria essa lei, o fogo mostra o seu poder, alimentando e destruindo o mundo. O fogo retém em si a lei do eterno retorno: destruir para que tudo nasça e se repita novamente. Como se não bastasse, é o fogo que representa a felicidade na cultura chinesa. O fogo sorri e anda sempre de cabeça erguida.

Em Fogo 火, as composições serão mais sorridentes e, ao mesmo tempo, terão este caráter rotundo, indo sempre ao encontro de um ponto, onde tudo recomeça novamente.

EPÍLOGO . Mater

Madeira 木| Água 水 | Terra 土 | Metal 金 | Fogo 火

Durante o segundo semestre de 2018,  Rui Souza, o diretor musical do Teatro da Didascália, compôs e apresentou cinco concertos, evocando, à vez, um dos cinco elementos da Teoria de Wu Xing – Madeira 木| Água 水 | Terra 土 | Metal 金 | Fogo 火 .

O concerto final do projeto Mater é o epílogo, a simbiose de todos estes concertos, elementos e inspirações numa única peça interpretada pelos músicos envolvidos no projeto, desde a sua primeira apresentação, em junho de 2018, com Madeira 木.

Tal como na própria teoria de Wu Xing, este concerto pode ter duas características que se contradizem: se por um lado pode ser catastrófico, por outro pode ser apaziguador, harmonioso ou perturbador.

Assim como é questionado nessa mesma teoria, o objetivo destas composições é tentar perceber de que forma é que o fogo controla a madeira, a água controla o fogo ou a terra controla a água, i.e., como se relacionam e se contaminam os cinco elementos.

A teoria do eterno retorno, mais antiga, pré-socrática, diz-nos que o fogo destruirá tudo e que tudo voltará a acontecer exatamente da mesma forma. Este concerto pretende trazer exatamente essa energia: da destruição à harmonia, da organização ao caos.

Este concerto é, assim, intenso pela sua massa sonora e pelas composições desconcertantes das quais, ao mesmo tempo, se espera que tragam uma certa paz a quem o assiste.