NOV/DEZ

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Nove anos e onze meses. Está quase. Já encomendámos o bolo. Tem de ter nozes! Nesta altura do ano, o bolo tem de ter nozes. Ou avelãs. Os esquilos da Quinta ainda devem ter deixado algumas por apanhar antes de se enfiarem na toca para se protegerem do inverno. O sol, por estes dias, passa a correr e mal  vemos. As temperaturas descem. Ligam- se as lareiras e as castanhas assadas começam a aparecer à porta das estações de comboio.
O inverno convida ao recolhimento, mas não à hibernação! Por isso, para estes dois últimos meses do ano, são várias as propostas para se recolher connosco.

Continuamos com os jantares-concerto Música da Época e chegaremos ao fim do ciclo de seis concertos do primeiro projeto musical do Teatro da Didascália, Mater. Iremos dedicar uma noite à palavra, à poesia e ao conto, em dose dupla. Primeiro, com a apresentação do espetáculo 20 Dizer, que nos chega pelas mãos do Trigo Limpo / Teatro ACERT, de Tondela, e, logo de seguida,ainda de mais longe, de Beja, será a vez de subir ao palco o contador de histórias, Jorge Serafim.

Nesta reta final de 2018, iremos ainda receber os nossos companheiros do Alentejo: o Projecto Ruínas, com o seu espetáculo, Dança, e o CENDREV, com os Bonecos de Santo Aleixo.

Dez anos. Entrámos na pré-adolescência. Haverá uma festa de aniversário. Já nos sentimos adultos, mas ainda só nos deixam beber Champomy.

O Teatro da Didascália faz dez anos e chegamos definitivamente àquela idade em que reivindicamos independência com uma tabuleta na porta do quarto a dizer STOP. Revoltamo-nos contra o mundo, a nossa voz já não nos obedece, já não é a mesma, anda numa luta entre os agudos e os graves. Chateamo-nos, batemos com a porta e saímos de casa, mas o mais longe que conseguimos ir é para a nossa cabana montada no jardim da casa dos pais.

Estamos naquela idade de começar a cobrir as paredes do quarto com pósteres. Ainda só temos dez anos, mas já revelamos algum talento nisto de colecionar cartazes.
Na porta, os cartazes dos primeiros espetáculos – Roda da Fortuna, One Man Alone – em formato A3. A nossa mesada ainda não dava para mandar fazer muppies.
Na parede, à esquerda da cama, os do Guarda Mundos, Prelúdio: a mulher selvagem e O Vigilante Noturno, e à direita, os cartazes das cinco edições do Festival Internacional Vaudeville Rendez-Vous.
Aos pés da cama, os quatro cães de loiça do projeto de narração oral, Contos d’Avó; na cabeceira, os dois encontros de teatro, Territórios Dramáticos, e já só nos sobra o teto para cobrir com  programas, cartazes e recortes de jornais sobre o nosso espaço Fauna.

Chegou o bolo! Tem nozes. Para comemorar esta data muito especial para nós, abrimos as portas do Fauna a todos aqueles que se quiserem juntar na nossa festa de aniversário, no dia 14 de dezembro. Uma festa de aniversário que se prolongará durante todo o fim-de- semana, com o espetáculo O Assalto, da Algures, no CCJJ – Centro Cultural da Juventude de Joane (ATC), uma sessão de contos com Susana Cecílio no domingo, dia 15, e com o último Música da Época do ano.

Atenção! Entramos na pré-adolescência. Haverá uma festa de aniversário. Já nos sentimos adultos e até já fazemos cigarros com barbas de milho a imitar o “Português Suave” do Papá.

BRUNO MARTINS

Programa