SET/ OUT

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O verão está quase a terminar. O Tio Manel já voltou para França. A vinha que percorre a entrada da Quinta até ao FAUNA é uma comprida nuvem de folhagem verde que protege os cachos das uvas que libertam um cheiro adocicado. São uvas americanas. Há quem ainda faça vinho doce com estas uvas, mas dizem que é proibido vender. O Tio Manel gosta muito de vinho doce, ou vinho novo, como alguns lhe chamam. Quando o Tio Manel voltar para o Natal, o vinho doce já terá azedado. Quando o Tio Manel voltar para o Natal, a vinha do Fauna já estará despida e à espera de ser podada. As bétulas vão ganhar um tom amarelado e o FAUNA irá ficar um pouco mais melancólico. Que é o mesmo sentimento que o Tio Manel produz quando se lembra do vinho doce que não bebeu.

Entretanto, passa à frente da minha mesa, no alpendre do FAUNA, um porco-espinho, distraído, que não se apercebe que estou a escrever sobre ele. Às vezes interrogo-me se estes bichos se incomodam com a nossa presença aqui. Afinal de contas, nós é que somos os invasores. O caminhar ligeiro do porco-espinho faz-me acreditar que somos bem-vindos. Ainda bem! Agora posso acabar este editorial e anunciar à bicharada o que temos para o início da temporada.

Em setembro, e para celebrar os últimos dias de verão, a música irá tomar conta do arranque da programação. Primeiro, com o concerto Mater – uma verdadeira epopeia musical dedicada aos cinco elementos Wu Xing, do naturalista Tsou Yen -, que o nosso querido Rui Souza está a compor, sendo este concerto dedicado ao elemento Terra. Ainda em setembro, iremos acolher no nosso espaço, no âmbito do Peles International Drum Fest 2018, um concerto com batidas e melodias oriundas de raízes africanas pelo projeto Magupi, um projeto a solo de Márcio Pinto, conhecido pelas suas intervenções nos projetos OLIVETREEdance, Terrakota, Bate&bala, Zuma, Los Negros.

Em outubro, o Rui Souza volta ao palco com Mater – Metal, e iniciamos uma nova temporada do já mítico Música da Época, um concerto-jantar de cozinha e música improvisada, desta vez liderada pelo chef Miguel Cizeron. Também em outubro, destaque para o arranque do grupo de criação regular, um grupo de experimentação artística aberto a toda a comunidade e com encontros semanais.

Já a terminar o mês de outubro, haverá ainda lugar para uma mesa redonda sobre o tema “As artes performativas como ferramentas de desenvolvimento pessoal: fruição e prática” e para o acolhimento do espetáculo Há Beira na Revolta da companhia ESTE – Estação Teatral da Beira Interior.

Fora do seu habitat natural, haverá ainda tempo para o Teatro da Didascália circular com as suas últimas três criações: Prelúdio: a mulher selvagem, O Vigilante Noturno e Guarda Mundos, em cidades como o Seixal, Guimarães, Fundão e Ourense.

Entretanto, o ouriço-cacheiro desapareceu.

BRUNO MARTINS

 

 

EQUIPA

Direção Artística: Bruno Martins
Coordenação Geral: Cláudia Berkeley
Coordenação zOOm: ver melhor: Patrícia Amaral
Direção Musical / Mater e Música da Época: Rui Souza
Direção de Produção: Jonathan da Costa
Direção Técnica: Valter Alves
Design Gráfico: Rui Verde

Programa