Santa Joana dos Matadouros

Todos os fracos e desprotegidos recorrem à personagem de Joana Dark escrita por Brecht. Joana segue o seu espírito missionário enquanto porta-voz do povo e mediadora dos conflitos entre os trabalhadores e o poder que dirige a indústria da carne. Joana é manipulada pela classe que representa, mas também pelo poder que lhe oferece pequenas vitórias com o objetivo de a instrumentalizar. Joana é a válvula de escape do povo e o instrumento através do qual o poder tenta controlar a fúria da multidão. Joana podia ser aquela artista politicamente engajada, com fortes discursos em defesa de todos os oprimidos do mundo, que se alimenta das suas histórias e tragédias, e que inconscientemente contribui para a romantização das suas desgraças.

Escrita por Bertolt Brecht entre 1929 e 1931, e estreada em palco somente em 1959, Santa Joana dos Matadouros estreia em novembro no Teatro Carlos Alberto, com encenação de Bruno Martins, diretor-artista do Teatro da Didascália. O texto trabalha sobre esta tensão entre fé e política, expondo os mecanismos através dos quais o poder absorve e neutraliza a luta popular.

A história passa-se em Chicago logo após o crash bolsista de 1929. Mas podia passar-se em qualquer tempo e lugar. É a sempre inacabada história dos fracos e desprotegidos diante do poder discricionário dos proprietários, patrões e especuladores. Entre uns e outros, Bertolt Brecht cria uma personagem chamada Joana Dark – inspirada na figura de Jeanne d’Arc – que, animada pela fé religiosa, se junta aos trabalhadores na luta contra o desemprego e a miséria, mas que o poder rapidamente instrumentaliza a seu favor.

Texto: Bertolt Brecht

Dramaturgia e Encenação: Bruno Martins

Assistência de Encenação: Cláudia Berkeley

Composição e Direção Musical: Amélia Muge

Apoio Técnico-Musical: António José Martins

Interpretação: Beatriz Wellenkamp Carretas, Carolina Rocha, Eduardo Breda, Flávio Catelli, João Cravo Cardoso, João Melo, João Miguel Mota, Lucília Raimundo, Pedro Couto, Telma Cardoso

Cenografia e Figurinos: Catarina Barros

Assistência de Cenografia e Figurinos: Susana Paixão

Desenho de Luz: Valter Alves

Operação de Som: Mariana Guedelha

Direção de Produção: Patrícia Gonçalves

Comunicação: Anaïs Proença

Design Gráfico: Luísa Martelo

Vídeo: Eduardo Breda

Parceria: Lemon Jelly

Parceria de Comunicação: RUM, Gerador

Produção: Teatro da Didascália

Coprodução: Casa das Artes de Famalicão, Cineteatro Louletano, Teatro Nacional São João

Apoio: Município de Vila Nova de Famalicão, República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes

Agradecimentos: CLAV, Teatro Experimental do Porto, Cassandra, Matilha Studio, Carla Gonçalves

Direitos de representação: Suhrkamp Verlag GmbH, Berlim