Arremesso inspira-se nos anos de prática em solidão e autoaprendizagem que Filipe Caldeira fez com os objetos tradicionais de malabarismo como bolas. É a reflexão sobre um lugar de prática que normalmente fica escondido, recolocando-o no agora. Recupera a memória de um lugar a só e deixa ver o homem e a matéria criada que nunca se vê. Os estados a cru da prática pela prática. O treino. O frágil, a falha, o erro – lugares normalmente distantes do circo. Algo na iminência de acontecer. A beleza e a violência vivem lado a lado. Momentos apagados. Momentos criados. A cadência. O ritmo: baixo-me e levanto-me infinitas vezes. Entre o céu e a terra o irreconhecível e o malabarismo, uma paisagem onde o corpo não precisa agora de identidade, nem rosto, uma ficção no meio de uma tempestade que se chama progresso.
ESTREIA ABSOLUTA | COPRODUÇÃO