O que é, afinal, um espectador? Alguém que observa, alguém que espera, alguém que julga, ou alguém que participa apenas pelo facto de estar presente?
Procuramos colocar o público no centro do acontecimento teatral e questionar a divisão entre quem faz e quem vê, entre palco e plateia, entre ação e passividade. O espectador é provocado, observado e devolvido a si próprio, num jogo onde assistir deixa de ser um gesto neutro e passa a ser uma forma de escolha, interpretação e poder.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
— Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Partindo dos seus direitos e deveres, das suas irritações, propostas e reivindicações, o espetáculo questiona o lugar de quem assiste e a relação, tantas vezes hierárquica, entre palco e plateia.
O espectador deixa de ser entendido como figura passiva, destinada apenas a observar, e passa a ser reconhecido como alguém que interpreta, escolhe, associa, discorda e constrói sentido.
Entre a atividade e a passividade, entre quem olha e quem é olhado, procuramos uma outra partilha sensível: uma relação mais horizontal entre aqueles que fazem teatro e aqueles que o recebem. Um espaço onde os lugares comuns possam ser redistribuídos e onde aprender possa voltar a ser um gesto de prazer, curiosidade e liberdade.
Mais do que ensinar o espectador a ver, o espetáculo reivindica o seu direito a olhar por si próprio, a questionar, a confrontar e a levar consigo aquilo que o teatro muitas vezes não consegue terminar.
E foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção,
Cresceu também o operário.
Duração: 50 aprox.
Classificação etária: M/12
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